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domingo, 20 de setembro de 2015

Palco: Exercício cênico "Pai contra Mãe"

    Bom dia, povo lindo!
    Ok, eu já sabia que tinha tempo que não escrevia por aqui, mas levei um susto quando vi a data da última postagem. Como assim eu não escrevo desde maio, gente? Já estamos em setembro! Bom, mas vou começando deixando claro que não fiquei esse tempo todo sem escrever porque me faltou o que contar. De maneira nenhuma. Pelo contrário, a minha história com os palcos tem sido cada vez melhor e devagarzinho vem se formando bem bonita. De maio para cá muitas coisas boas  sobre as quais eu não escrevi aqui aconteceram com relação à minha trajetória no teatro. Por isso, resolvi fazer uma sessão à parte aqui que vou chamar: "Das coisas que não contei por aqui..." pra tentar sanar essa falta minha com o blog e não deixar sem registro nele essas tantas coisas boas que eu deixei sem espaço aqui nesse meio tempo. Logo logo publico o primeiro escrito da sessão.
     Mas agora não. Agora quero falar de outra coisa. Outra experiência que tive a honra e alegria de viver esses dias. 
     Para quem não sabe, Maceió está vivendo o paraíso do teatro esse mês. Recentemente, tivemos o Filé Teatral, um evento promovido pelo curso de licenciatura em Teatro da UFAL; semana que vem sediaremos o FITO, Festival Internacional de Teatro de Objetos, e, com isso, receberemos várias companhias de outros estados e países. E atualmente estamos finalizando a etapa Alagoas do FTB, Festival de Teatro Brasileiro. Graças a este último recebemos várias companhias do estado da Paraíba. E tivemos a oportunidade de trocar experiências com essas companhias. Entre estas o Coletivo de Teatro Alfenim.  
      O Coletivo, além de trazer aos palcos alagoanos peças maravilhosas, veio com uma proposta linda de residência artística com artistas locais. Lógico que eu não ia perder essa, né? A ideia era reunir artistas daqui para conhecer um pouco do modo de trabalho do Alfenim, trocar experiências e ainda apresentar um exercício cênico ao final da residência. Maravilha, né?
         Pois bem, a residência teve início no dia Primeiro deste mês e sua finalização no dia 15. Não foram 15 dias corridos. Não. Foram 15 dias partidos. Na verdade, quando fiz minhas contas, tivemos apenas 7 dias de residência. Uma semana partida em 15 dias. Mas, foi uma semana partida de trabalho intenso e delicioso. De muita alegria por conhecer pessoas maravilhosas e por vislumbrar um trabalho lindo que estava nascendo em tão pouco tempo. Mas falo um pouco mais sobre essa parte mais adiante...
       O Alfenim, na pessoa de seu diretor e dramaturgo Márcio Marciano (virei fã!), nos propôs construirmos um trabalho durante aqueles dias em cima do conto "Pai contra mãe", de Machado de Assis (Teatro e Machado, gente! Como não amar?). Fiquei ainda mais encantada com a Residência e isso suscitou, inclusive, uma ideia bem bacana para um projeto futuro do Teatro da Poesia (mas isso é pauta para outro texto). O fato é que Machado escrevia a séculos atrás, com maestria literária que dispensa comentários, sobre temas extremamente atuais.
          No caso do conto "Pai contra mãe", que tinha como plano de fundo a época da escravidão do Brasil e a repressão a escravos fujões, Machado nos apresenta Cândido Neves, um homem que após tentar, sem sucesso, exercer os mais variados ofícios, acaba por se tornar um caçador de negros fujões, já que, assim, conseguia boas recompensas dos donos dos escravos recuperados. Cândido, porém, se casa com Clara e esta engravida. Porém, ao mesmo tempo que se aproxima a hora do bebê nascer, torna-se cada vez mais difícil a situação financeira do casal, visto que Candinho já não consegue capturar negro algum a bastante tempo. Por mal terem recursos para viverem os três, tia Mõnica, que cuida do casal, os aconselha a colocar a criança na roda dos enjeitados. Candinho não consegue suportar a ideia. Por isso ele fica cada vez mais obcecado pelo anúncio de uma negra que fugiu. Após um bom tempo de procura, ele consegue encontrá-la e a captura, a negra Arminda, por sua vez, implora que Candinho não a entregue ao seu dono, pois ela está grávida e, conhecendo o dono que tem, este a castigará com açoites, o que pode causar o aborto da criança. Cândido entrega a negra e acontece exatamente o que ela temia.
           Pelo resumo que eu fiz dá pra ter noção da força do texto, não é? Mas o texto de Machado, sem dúvida, vale muito mais a pena que o meu resumo.
            O fato é que o Marcio nos convidou a construir com ele um exercício cênico com base nesse conto pensando as cenas imageticamente. E o Nuriey, por sua vez, cuidou da parte musical do nosso exercício com tanto esmero e cuidado que o resultado disso foi algo tão lindo que até agora eu estou enviando mensagens ao meu cérebro para que ele resista e não me deixe esquecer aquelas músicas.
             As dificuldades durante o processo foram muitas: Estávamos em meio a feriados e greve da UFAL e, consequentemente, da ETA, que estava nos emprestando o espaço para a Residência. Talvez também por isso, tenhamos começado o processo com determinado número de participantes que foi diminuindo à medida que os dias iam passando. E aí, dois dias antes da apresentação, chegaram um monte de participantes novos. Imaginam a loucura que foi?
                Mas eu acho que foi por isso mesmo que a apresentação foi tão mágica. Dia 15 de setembro de 2015. Estávamos ainda tão nervosos, tão inseguros... Mas chegada a hora, a coisa fluiu (como sempre flui) e foi lindo. Lindo lindo. Não conseguiria expressar aqui nem que tentasse o êxtase que senti por estar ali. Nunca vou conseguir explicar direito o que sinto quando estou no palco. Não há palavras suficientes no mundo nem em língua alguma pra deixar isso claro. Só sei dizer que foi lindo. Foi lindo também os aplausos e comentários da plateia ao final, encontrar amigos na plateia e receber seu carinho quando tudo terminou. Gente, como eu amo isso. Um dos atores da Paraíba veio falar comigo ao final e disse: "Você nunca pode largar o teatro." Foi o melhor elogio do dia. E a maior verdade. Não posso mesmo. Não me sinto viva sem ele.
                 Dito isso tudo, só me resta agradecer. Agradecer enormemente ao Coletivo de Teatro Alfenim. Em especial ao diretor e dramaturgo Marcio Marciano e ao músico Nuriey Castro: Muito obrigada! Saibam que virei fã de vcs e que espero realmente que nós ainda nos encontremos pelos palcos da vida. Obrigada pela paciência, dedicação e pelo trabalho lindo que vcs nos deram a honra de viver.Também agradeço a Adriano Cabral, que se fez presente em cada encontro da Residência e acreditou em nós; e à Gabriela Arruda, produtora do Coletivo, que também nos acompanhou em cada momento e é uma fofa. Agradeço ainda à Zezita Matos por ter me dado a honra de conhecê-la e trocar com ela algumas palavras sobre o meu amor pelo teatro. Zezita, vc é uma linda! E agradeço também aos colegas de Residência. Foi um prazer viver esse trabalho com vocês e que tenha sido apenas o primeiro de muitos.
                       Agora vamos aos registros, né? Gente, meu sonho era e continua sendo encontrar algum vídeo desse apresentação. Por favor, se alguém que ler esta postagem por acaso tiver algum, mande para essa atriz desesperada, sim? :P Na ausência de vídeos, temos, porém, algumas fotos do processo e do dia da apresentação. Aí estão elas:



Primeiro dia de Residência

Primeiro dia de Residência

Início da apresentação


Cena com o ator Régis de Souza

Final da apresentação. Bate-papo com o elenco e o diretor.


      Infelizmente, não tenho aqui comigo a lista completa com os nomes dos participantes da Residência que compuseram esse elenco e, com medo de citar alguns e esquecer outros, prefiro não fazê-lo. Mas, é isso, pessoal. Foi lindo! E se alguém encontrar algum vídeo por aí, please, não esqueçam de me dizer, tá?

Beijos beijos,

Louryne Simões

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Teatro da Poesia

    Olá pessoas lindas do meu cantinho, hoje eu venho finalmente contar (ainda superficialmente) sobre um projeto novo que tem me enchido a mente e o coração. Já a algum tempo vinha sonhando uma companhia de teatro que me permitisse explorar as histórias que eu sempre quis contar no palco de modo que me fosse possível dar um tempo, corpo e espaço às imagens que vejo sempre na minha cabeça e às quais ainda não consegui dar vida. É desse desejo e inquietação que está sendo gerado o Teatro da Poesia.
       Junto com meu parceiro de vida e de palco, Jadir Pereira (*-*), está sendo gerada uma nova Companhia de Teatro na cena Alagoana que tem como premissa básica poetizar (Me sentindo grávida.. =P). Mas o que vem a ser isso? Afinal de contas o que é poesia? E o que é levá-la aos palcos? Humildemente, concordo que há certa ousadia no projeto. Mas não é quase inerente à arte, a ousadia?
      Bom, ainda assim, e sem tomar isso como verdade absoluta, o Teatro da Poesia acredita desde já que a poesia, muito mais que poemas e sonetos, está em tudo: "Sem autoria e sem versos a poesia será encontrada" (verso de poema de Fernando Paixão).  E de tal modo em tudo que não se sabe onde começa e onde termina. Mas está lá. Em tudo: No âmago do nosso estômago; de onde sai pelos nossos olhos a tocar o mundo (ou seria o mundo que traz poesia aos nossos olhos?). Está na música e nas artes tanto quanto na pedra. Talvez aquela mesma que inspirou Drummond a escrever seu famoso poema : "No meio do caminho, havia uma pedra". Ele soube ver a poesia nela. 
       E o Teatro da Poesia se propõe a isso: A olhar com olhos que procuram a poesia naquilo ali, aquela coisa mínima que ninguém olha. Pretende tocar o público de modo a conseguir provocar esse olhar mais aguçado sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor. Um sopro para que nossos olhos enxerguem melhor a poesia no mundo, porque é também de poesia que ele é feito.
         Assim sendo, estamos preparando alguns projetos bem bonitos que logo logo chegarão até vocês e espero que vocês gostem e nos acompanhem. Já existe uma página da companhia no face bem aqui, a qual algumas pessoas lindas já curtiram, apesar da ausência de informações presentes por lá. A essas pessoas, agradeço enormemente o voto de confiança que vocês depositaram em nós desde esse comecinho e peço que continuem por ali: Estamos em silêncio ainda, mas isso apenas porque estamos trabalhando em algo que queremos deixar bem bonito pra vocês. E aos que ainda não curtiram a página, fiquem à vontade para curtir. Em breve, mais informações serão dadas e devagar nossa poesia vai chegando até vocês. Peguem carona na nossa bicicleta que vem coisa bonita por aí... *_*



Louryne Simões

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O que vem por aí: Preparação

     Bom dia povo lindo do meu cantinho... *_*
     Venho rapidinho só pra compartilhar como anda o processo pra fazer nascer minha próxima personagem que ganhará o tablado. Há algumas postagens eu contei que esse ano seria ano de montagens para a minha turma na ETA. Expliquei que teremos duas montagens no ano letivo, cada uma referente a um semestre. Pois bem, estamos no processo de preparação da primeira (ontem também citei como andava sem tempo por vários projetos). Vim aqui contar um pouco de como anda esse processo.
     Começarei dizendo que ele já está caminhando para o final, já que a previsão de estreia é pra logo. Muito logo. Do tipo vocês vão piscar os olhos e já terá chegado o grande dia. Sendo assim, já foram várias oficinas, dias de ensaio e preparação, alguns desencontros e puxões de orelha tb, pq isso faz parte kkkk, mas o fato é que a coisa tá andando. 
      E no início dessa caminhada, eu havia ficado eufórica quando soube qual seria a minha personagem, só de imaginar o trabalho que eu teria, o quanto ela exigiria de mim. E, gatos, ela exigiu, viu... N tem sido mole n. A cada ensaio sempre com aquela sensação de "N chegou lá ainda. N chegou nem perto de lá"... Mas é desse tipo de trabalho que eu gosto, admito. esse que me força a sair de uma zona de conforto pra pode ficar minimamente satisfeita. 
      Ocorre que essa semana dois momentos do processo parecem ter colaborado enormemente para essa personagem acordar mais ainda dentro de mim:
     O primeiro foi um ensaio em que estava sendo especialmente observado o trabalho vocal que estávamos preparando para nossos personagens. Cada um de nós recebeu de nosso professor e preparador vocal, Geová Amorim, a crítica que lhes cabia; e quando chegou o momento de receber as minhas, acordei para uma série de coisas que eu poderia estar fazendo muito melhor e que não estava talvez por não ter me dedicado como deveria por ter deixado que outros assuntos atrapalhassem essa dedicação. É por coisas assim que gosto de críticas. Sempre consigo tirar algo que me faz crescer mais com elas. Até hoje, nesses meus primeiros passinhos de atriz, nunca recebi nenhuma crítica que não tivesse colaborado com o meu crescimento. Sou grata por cada uma delas. E assim também com essas do professor Geová. Me acordaram e acordaram a personagem aqui dentro. Por isso, gratidão. Sinto-a agora mais perto de nascer como deve para que vocês possam também se apaixonar por ela como eu me apaixonei. 
      Pois bem, no dia seguinte a esse ensaio também seria dia de ensaio e eu estava super empolgada para tentar usar os apontamentos do dia anterior de forma a melhorar meu desempenho. Porém, nosso professor e diretor Alex Cerqueira avisou depois que não haveria ensaio naquele dia pois ele queria fazer o primeiro teste de maquiagem. Isto é, ele faria a maquiagem de alguns personagens para que víssemos e pudéssemos assim treinar em casa, já que nos dias de apresentação seremos nós a fazer a make também. Fiquei meio "Ahhh" pq n teria ensaio, mas logo lembrei que se tem coisa que também ajuda a acordar personagens dentro da gente são o figurino e maquiagem.
     E assim foi... eu fui uma das sorteadas em quem ele fez a prova da maquiagem para servir de modelo para os outros colegas (e para mim mesma já que eu vou ter que treinar depois). e, gente... Mesmo ele tendo avisado que aquela não seria a maquiagem do grande dia, apenas um modelo que ele estava mostrando para que treinássemos depois, ver aquela máscara no meu rosto contribuiu demais para que eu acordasse ainda mais essa personagem. Quando cheguei em casa passei horas brincando de acordá-la, horas que eu resisti em tirar a maquiagem do rosto e eu acredito sim que isso contribuiu muito para o processo. Foram dois dias que me tocaram ainda mais que outros dias. 
      Resultado: estou super apaixonada pela personagem que tenho visto em minha cabeça e espero conseguir trazê-la para o meu corpo para mostrá-la a vocês. E conseguindo isso, espero que vocês se apaixonem por ela como eu. 
        Aí segue uma das fotos da prova de maquiagem. tenho várias e várias, mas vou colocar só essa, só pra manter o suspense mais um pouquinho... :P



P.S: Falando dessa coisa de "crescimento de atriz", estava eu ontem lendo os primeiros posts desse blog e vendo os vídeos antigos. Me diverti um bocado, mas porque a cada vídeo que eu assistia, eu pensava "gente, que horrível, como eu tive coragem de postar isso? Se fosse fazer isso hoje, eu faria de jeito tal.." kkkk. Aí foi que veio a parte gostosa: Percebi que este blog tem cumprido seu propósito pra mim. O propósito que eu tinha para ele quando o criei: registrar meu crescimento e evolução. Ele tem feito isso. Lendo os posts antigos e vendo os primeiros vídeos tenho aprendido comigo mesma ao mesmo tempo que posso ver que devagar eu vou crescendo e ficando um pouco melhor a cada novo desafio que me é proposto. Que continue assim. E que eu nunca esqueça que é sempre possível aprender e crescer mais. Ainda não sou a atriz que eu quero ser. Mas isso também é bom.



Louryne Simões

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Oficina Palco Giratório "Contando a gente acredita", com Clareira de Teatro

     Gente, em dias de Palco Giratório, a verdade é que há sempre muito para contar em pouco tempo. Então, estes posts todos que estou fazendo estão realmente super atrasados, mas tenho que fazê-los assim mesmo, simplesmente porque não poderia não fazê-los... :P
     Agora mesmo já se aproximam as duas da matina, mas cá estou eu escrevendo este post porque amanhã já tenho outras coisas que quero compartilhar por aqui. Então, vamos lá...
     Sábado passado, dia 25/4/2015, quem foi ao Teatro Deodoro pôde prestigiar um belíssimo espetáculo infantil promovido pela Companhia Clareira de Teatro, do Rio Grande do Sul: Nina, o monstro e o coração perdido. A peça contava a história de Nina, uma menina linda e cheia de alegria, que um dia fica triste. E, sem saber lidar com isso, deixa se perder seu coração e com ele todos os sentimentos. Percebendo, porém que fizera a escolha errada, ela e seu amigo monstro iniciam uma jornada em busca de seu coração perdido. A montagem se desenvolve com contação de histórias, um cenário vivo, colorido e móvel e uma leveza espetacular. E, além disso, contava com um elenco que cativou a todos que compunham o público *_*




      E pra ser melhor, esse elenco maravilhoso composto pelos lindos e doces Valquíria Cardoso, Alex Limberger e Gustavo Dienstmann nos deram de presente 2 dias de oficina \o/ (Todas piram de felicidade). 
      A oficina "Contando a gente acredita" foi uma oficina com foco na contação de histórias mas que nos trouxe ganhos que ultrapassaram essa expectativa: jogos que estimularam a atenção, a criatividade, a musicalidade, a sonoridade e um monte de mais dades... Vimos uma cadeira virar milhares de coisas, vimos uma música nascer do nosso próprio corpo e sem que nada fosse combinado antes, vimos histórias serem contadas sem palavras e apenas para que nossos ouvidos apreciassem e não nossos olhos. Enfim, foi nos permitido ouvir e contar histórias de um modo diferente ao que estamos habituados. Zonas de conforto... Falei sobre isso na oficina. Como somos acomodados.... Como nos acostumamos a fazer tudo sempre do mesmo jeito... A contar e ouvir histórias sempre do mesmo jeito... E como é bom quando alguém nos convida a sair desse conforto e nos ensina a fazer um pouquinho diferente *_*


     E é por isso mesmo que eu queria agradecer demais a vocês: Alex, Valquíria e Gustavo. pelos sorrisos nos rostos primeiramente; pela doçura, o carinho, o amor que nos foi derramado, pela preocupação com nossos problemas (n esqueci nenhuma das suas palavras, Alex)... E muito muito obrigada por ter deixado conosco um pouco do que vcs já aprenderam nessa caminhada eterna que é a vida do ator. Aprendi muito com vcs e me empenharei em não deixar isso que aprendi pelo caminho.  Val, você ficou feliz, porque viu que tinha plantado uma semente. Plantou sim, minha flor. E espero falar dela em um post muito próximo.



      Tem novidade chegando por aí, galera!! :*




Louryne Simões
      

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Oficina Teatro do Oprimido

     Quarta feira passada, dia 1/4, recebemos na ETA o ator Dodi Leal para nos aplicar uma oficina do Teatro do Oprimido, vertente do Teatro fundada pelo brasileiro Augusto Boal. Boal participava da política ativamente chegando a ser exilado do país durante a ditadura militar; seu Teatro herdou seu ativismo. Também conhecido como Teatro do diálogo, o Teatro do Oprimido é conhecido por discutir no palco questões político-sociais, especialmente no que é referente a dar voz para as classes que não tem. É um teatro contra a opressão. E, em se tratando de um Teatro que defende que todos deveriam ter voz, ele mesmo não poderia excluir ninguém, não é? Assim sendo, o Teatro considera que todos nós podemos ser atores, assim como todos podemos ser espectadores.
      Sobre isso, o professor Lindomar pode dizer melhor que eu bem aqui, de onde retirei o seguinte trecho:

"O “Teatro do Oprimido”, de acordo com o próprio Boal, pretende transformar o espectador, que assume uma forma passiva diante do teatro aristotélico, com o recurso da quarta parede, em sujeito atuante, transformador da ação dramática que lhe é apresentada, de forma que ele mesmo, espectador, passe a protagonista e transformador da ação dramática. A idéia central é que o espectador ensaie a sua própria revolução sem delegar papéis aos personagens, desta forma conscientizando-se da sua autonomia diante dos fatos cotidianos, indo em direção a sua real liberdade de ação, sendo todos “espect-atores”.

    Assim, o Teatro do Oprimido é um dos poucos que dá tanta importância aos espectadores quanto aos atores. Afinal todos somos atores e todos somos espectadores na vida cotidiana, não é mesmo? E porque no Teatro seria diferente? Perguntemo-nos então: Onde temos estado mais? No palco, atuando, ou apenas assistindo como o mundo se desenrola?



  •      EU NO TEATRO DO OPRIMIDO
     Embora eu já escute falar do Teatro do Oprimido desde quando dei meus primeiros passos nas tábuas, nunca tinha feito uma oficina nessa vertente. Adorei. Aprendi bastante e vi como realmente o Teatro pode servir a esse propósito de ser questionador e revolucionador na sociedade. O tema dessa oficina especificamente foi travestilidades, mas fomos muito além desse tema, falamos de machismo também, do homem, da mulher, de gêneros e me senti voltando pra casa como quem fazendo o que mais ama, em casa, ou seja, no teatro, falou de coisa séria... E falou sem pesar. Sem pesar o clima. Sem se sentir pesada. Falar de política no Teatro é outra coisa. Pelo menos pra mim. Além disso, Dodi realmente conduziu cada momento da oficina sempre com muita dialogicidade realmente. Foi uma delícia participar da oficina e me senti aprendendo. E percebendo como realmente o teatro pode ser transformador (coisa que eu achava que já sabia, mas a oficina me fez sentir isso mais na prática, o que foi muito melhor.)

      E, sendo assim, aproveito para renovar meus agradecimentos a Dodi Leal e super indicar que qualquer ator (ou não-ator) participe sim de oficinas do teatro do oprimido. Aprender a (se) questionar, a se rever, se refletir é fundamental. Não há como fugir da política. Se você foge dela, você entrega os seus direitos de mão beijada nas mãos de outras pessoas. Não façamos isso. E aproveitando a era que estamos vivendo, tão cheia de "vontade política" por meio do povo, né? (super atenção para as aspas, por favor), que questionemos com força, mas sem perder a ternura e a leveza... =). Eu não saberia como terminar esse post, porque não pararia nunca de ressaltar as qualidades e vantagens de se fazer o teatro do Oprimido, então vou parar no simples "eu faria de novo.", "é necessário" e "faça você também."








Louryne Simões

terça-feira, 31 de março de 2015

Camarim: Se uma estrela aparecer...

      Bom, pessoas lindas da minha vida, nesse fim de semana que passou eu fiz um post sobre como vinha me sentindo um tanto estremecida comigo mesma por ter me atrasado nos meus compromissos com meu estudo do teatro na ETA. Mas o teatro é tão pai, mãe e lar pra mim que me deu colo... Fiz o pedido a uma estrela e agora cá estou... Com sono e um tanto dolorida, mas tão tão feliz que tinha que vir aqui compartilhar rapidamente um pouco dessa felicidade com vocês *_*. Explico:

      Esse ano minha turma de teatro da ETA deve apresentar duas montagens, uma para cada semestre. Sexta-feira ficamos sabendo o projeto da nossa primeira montagem e nos apaixonamos perdidamente (e falo no plural mesmo porque sei que a maior parte dos meus colegas, se não todos eles, ficaram mesmo tão apaixonados quanto eu). E eu fui conquistada exatamente pelo que eu vinha pedindo: desafio, algo que exigisse meu suor. A história que vamos contar nem tinha tanto espaço no meu coração, mas tem conquistado cada vez mais desde o dia que eu soube só pela ideia do trabalho que eu sabia que iria ter. E ontem e hoje isso se confirmou: fizemos duas oficinas preparatórias que já me fizeram trabalhar com coisas com as quais nunca tinha trabalhado antes por personagem nenhum. Hoje estou dolorida por conta da oficina preparatória de hoje e terei que trabalhar amanhã e sei que estarei morta, mas estou imensamente feliz. Pelo desafio, pelo trabalho, pela oportunidade de aprender e de viver coisas que ainda não tinha vivido até agora e até pelo resultado que ainda está tão longe, mas que sei que se vier de um processo que continue do jeito que está até agora será absolutamente lindo. 
      Ainda não posso compartilhar com vocês qual será a peça ou qualquer coisa mais clara relacionada a ela. Ainda é cedo. Mas quis compartilhar minha felicidade. Quis chegar aqui e dizer que estou feliz. Muito feliz. Porque estou trabalhando, porque estou suando, porque estou em um projeto no qual sairei muito melhor atriz só pelo processo no qual ele está me colocando e quis dizer isso da mesma forma que dia desses disse que não estava muito satisfeita comigo mesma. Não estava porque não estava vivendo o palco como gosto desde as férias e já estava numa saudade amarga. Mas agora não. Agora estou de volta. Estou em casa, pessoal. Estou feliz. Estou suando.

Louryne Simões